quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Por um fio! Suicídio na adolescência



Seja por questões de cunho religioso, moral, filosófico ou quaisquer outros, falar em suicídio é sempre um tema difícil, delicado, com contornos subtis, e transversais…

Falar em suicídio na infância e adolescência, é por isso um assunto interdito – que ninguém tem a intenção de ouvir e muito menos, refletir e discutir, até por uma questão de “pretensa proteção”. Contudo, as ideias de morte também podem surgir como uma estratégia dos jovens para lidar com problemas existenciais, como a compreensão do sentido da vida e da morte.

Segundo dados de 2012 da agência da ONU, mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, sendo esses números subestimados, por diversos fatores que não cabem aqui discutir. O suicídio vem aumentando entre a população jovem nas últimas décadas, sendo que os adolescentes representam, atualmente, o grupo de maior risco.

O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos!

Quando pensamos em jovens, associamos a essa fase da vida, maioritariamente, experiências positivas. Um elevado número de adolescentes, entretanto, comete suicídio, em parte, por questões como a solidão, aqui entendida como isolamento, quer emotivo ou social, ausência de amizades significativas, em quem confiem e possam partilhar seus temores e emoções, problemas de adaptação e baixo rendimento escolar, etc.

As exigências sociais e psicológicas impostas pelo crescimento, bem como as mudanças físicas e emocionais, o desenvolvimento de novos papéis, a tensão em adquirir novas habilidades e enfrentar diversos desafios, acarretam stress elevado e contínuo, que podem impulsionar muitos jovens a desenvolverem pensamentos e comportamentos suicidas.

Com relação às diferenças de género, as tentativas de suicídio são mais frequentes nas raparigas, porém, o suicídio consumado é maior nos rapazes, pois eles se utilizam de meios mais agressivos em seus propósitos.

Setenta e cinco por cento dos suicídios ocorrem em países de baixa e média renda.  Nos países com alto desenvolvimento socioeconómico, a relação entre suicídio e distúrbios psiquiátricos/psicológicos, sobretudo a depressão, abuso de álcool/drogas, está bem estabelecida. Contudo, a maioria dos suicídios ocorrem de forma impulsiva – uma reação a um momento de crise, um colapso na capacidade de lidar com as adversidades inerentes a vida (problemas económicos, rutura de relacionamentos afetivos, etc.), que, entretanto esconde sempre um mal estar antigo, às vezes tão longo quanto a idade da vítima.

Outros fatores como exposição à violência intrafamiliar, abandono em tenra idade, história de abuso físico ou sexual, transtornos de humor e personalidade, impulsividade, presença de eventos estressores ao longo da vida, suporte social e afetivo deficitários, suicídio de um membro da família, deceção amorosa, homossexualidade/transsexualidade, bullying, oposição familiar a relacionamentos sexuais, condições de saúde desfavoráveis, baixa autoestima, dificuldade de aprendizagem, dentre outros conflitos familiares, também estão fortemente associados com o comportamento suicida.

Dentre os principais fatores de risco, destaca-se a depressão, que tem papel fundamental no desenvolvimento de pensamentos e comportamentos de morte. A presença de sintomas depressivos - como sentimentos de tristeza, desesperança, falta de motivação, diminuição do interesse ou prazer, perda ou ganho significativo de peso, problemas de sono, capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, dentre outros - é um importante fator de risco para o suicídio. Vale ressaltar que os adolescentes com transtorno depressivo maior apresentam, em geral, humor irritável e instável, com frequentes episódios de explosão e de raiva.

Conhecer os principais fatores de risco associados ao suicídio e as diferentes formas de manifestação dos sinais a ele associados, pode ser um passo importante para o planeamento de programas de prevenção.

As taxas de suicídio também são elevadas em certos grupos, sobretudo os que sofrem com discriminação, como homossexuais, bissexuais, transgéneros e intersexuais (LGBTI), refugiados e migrantes.

Contudo, o maior fator de risco para o suicídio, são tentativas anteriores fracassadas. A prevenção não tem sido tratada de forma adequada, devido à falta de consciência de que o suicídio é um grave problema de saúde pública! Para que se possa atuar de maneira preventiva diante dos comportamentos suicidas, é preciso estar ciente e alerta para os diversos fatores de risco e de proteção.

Não subestime as alterações de comportamento dos V/ filhos! Nem tudo são manifestações típicas da adolescência.

Lamentavelmente é essa a realidade, queiramos ou não compreender, assimilar ou aceitar como legítima.






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