sábado, 8 de março de 2014

Agradecimento às Mulheres!!!


Quero expressar a minha admiração às centenas de mulheres excepcionais
que tive o prazer de conhecer
no decorrer destes quase 17 anos de carreira!
Marias, Amélias, Anas e Fabianas, Teresas, Madalenas
e Cristinas, Sandras, Adrianas, Marianas... 
Histórias de dor, sofrimento, traumas sucessivos... 
Desamparo, agressões, frustrações.
Mas acima de tudo, garra, coragem, determinação!
Agradeço profundamente, a oportunidade de estar 
frente a frente com cada uma de vocês! 
Obrigada pela confiança em permitir que juntas
percorramos os mais difíceis caminhos para finalmente lá à frente,
as ver partir, altivas, "empoderadas", donas de si! 
Com lágrimas nos olhos, um nó na garganta e um orgulho daqueles,
eu as as vejo Seguir rumo às novas paragens e novos horizontes!
Acompanhar esse processo de renascimento não tem preço!
Só entrega e amor!
Muito, muito obrigada!

domingo, 2 de fevereiro de 2014

EMDR: Uma Terapia para Tratamento de Traumas


Quando um trauma  ocorre ele  passa a interferir em  nossas vidas de forma direta ou indireta através  de nossos  comportamentos  e atitudes. O trauma, na maioria das vezes, limita e  empobrece nossa  qualidade  de  relacionamentos   interferindo diretamente em nosso bem-estar e em nossa saúde  emocional. Existe  uma gama de   acontecimentos  que   podem  causar um  trauma,   mas  sua   instalação está diretamente relacionada à capacidade  emocional, que inclui  preparo  e  maturidade do  indivíduo  para    lidar  com  aquela  situação  assustadora;  desta forma,  uma ocorrência   pode ser   extremamente  traumatizante   para uma pessoa e ser mais facilmente elaborada por outra. 

Podemos entender o trauma como uma experiência de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica, que põe em risco a segurança ou integridade física do paciente ou da(s) pessoa(s) amada(s), p.ex.: catástrofe natural, acidente, assalto, seqüestro, estupro (ou outro crime), testemunhar a morte violenta de outros, ser vítima de tortura física ou emocional, sofrer mudança súbita e ameaçadora na posição social e/ou nas relações do indivíduo, tais como perdas múltiplas, etc. São sintomas típicos de estresse pós-traumático, episódios de repetidas revivescências do trauma sob a forma de memórias intrusas (flashbacks) ou sonhos, algumas vezes ocorrendo embotamento emocional, afastamento de outras pessoas, evitação de atividades e situações que possam de alguma forma recordar o trauma.

O QUE É EMDR? 
EMDR – Eye Movement Desensitization and Reprocessing
(Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares)

O EMDR é um método revolucionário criado pela Dra. Francine Shapiro, psicóloga americana - PhD, especialmente empregado no tratamento de transtorno de stress traumático e pós-traumático, quadros de ansiedade, depressão, fobias, síndrome do pânico, instalação de recursos positivos e outros. EMDR é a nova terapia especialmente útil para a transformação das lembranças traumáticas. De uma forma revolucionária ajuda a libertar a mente, o corpo e abrir o coração. É uma forma de ver a conduta disfuncional, quando se acredita que a sua origem está em incidentes traumáticos do passado. Quando estes são identificados de uma forma sábia e hábil, podem ser processados e integrados, o que resulta em condutas funcionais e apropriadas. 

Parnell, L. (1997) Transforming Trauma: EMDR. New York: WW Norton & Co. p.39

A ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA AMERICANA recomenda o EMDR como um dos principais métodos da atualidade para o tratamento de situações traumáticas. Novas aplicações do método têm se voltado para o tratamento de doenças psicossomáticas. O referencial teórico da psicoterapia de processamento encontra respaldo em descobertas recentes no campo neuropsicológico, e os resultados clínicos são obtidos com rapidez. Estudos recentes indicam o sucesso e a manutenção das conquistas terapêuticas.

Como Funciona o EMDR? 

O EMDR é um trabalho que exige profissional clínico devidamente capacitado e certificado pelo EMDR Institute, dos Estados Unidos, para sua implementação. Atualmente utilizamos, além dos movimentos oculares, outras formas de estimulação bilateral, como a auditiva e a tátil. Para algumas pessoas estas formas dão melhores resultados. O EMDR é um trabalho complexo que exige o conhecimento da história clínica do paciente, diagnóstico apropriado, desenvolvimento de uma relação empática terapeuta/cliente e a preparação do paciente para o EMDR em si. Os movimentos são realizados em conjunto com a psicoterapia para ajudar o cliente a integrar os traumas processados. 

A teoria dos Movimentos Oculares Rápidos durante o sono REM é a mais relevante para explicar o êxito do EMDR. Parece que todos nós estamos processando as experiências do dia durante as etapas do sono REM. Em situações normais, parece que o cérebro "revisa" as experiências do dia, processa e arquiva as lembranças no seu enorme banco de dados cerebral. No entanto, quando temos alguma experiência traumática, parece que o cérebro não consegue processar o evento e o incidente permanece armazenado como uma espécie de "nó neurológico". É possível que os pesadelos sejam tentativas fracassadas do cérebro de processar as lembranças traumáticas. 

Com o EMDR o cérebro recebe a ajuda necessária para processar o fato e arquivá-lo. Perde-se, assim, a carga negativa associada à situação, e muitas vezes se recuperam as lembranças positivas vinculadas a isso e que antes não se podiam perceber. Muitas pessoas têm a sensação de que a lembrança agora está realmente no passado e que já não incomoda quando se recordam dela. Uma cliente disse, depois do processamento de uma experiência de abuso sexual: "dói, mas já não fere. 

Como ocorre uma sessão de EMDR? 

A aplicação do EMDR é feita a partir da escolha de um problema específico a ser trabalhado. O cliente traz um tema perturbador, que pode ser a lembrança de um evento traumático ou um pensamento negativo, por exemplo. Procura manter em mente uma cena, um sentimento, um som, um pensamento e ainda as crenças negativas relacionados ao problema, enquanto o terapeuta conduz os movimentos bilaterais. 

Nosso cérebro possui recursos para realizar a cura de suas feridas emocionais, da mesma forma que nosso corpo cura nossas feridas físicas. O processo de EMDR direciona nosso cérebro para a cura. O processamento acelerado de informações propiciado pelo EMDR é feito de forma particular, ou seja, cada um irá processar suas associações, baseada em sua experiência pessoal e seus valores. 

Os estímulos bilaterais são repetidos até que a lembrança seja menos perturbadora e possa ser associada a pensamentos e crenças pessoais mais positivas. É importante informar que o EMDR não é um tipo de hipnose e que a pessoa pode interromper os movimentos a qualquer momento. A Dra. Shapiro diz que "quando a informação é integrada de forma positiva e resolvida de forma adaptativa, sempre estará disponível para ser usada no futuro. O EMDR não tira nada que o cliente precise e nem lhe dá amnésia". (Parnell, 1997:72).

Um princípio fundamental da terapia com EMDR é que a saúde básica existe dentro de nós e o que o EMDR faz é tirar o bloqueio causado pelas imagens, crenças e sensações corporais negativas e permitir que o estado normal (de saúde) da pessoa surja (Parnell, 1997:72)

Numa comunicação pública a Dra. Shapiro disse: "se o corpo humano tem a capacidade de se curar das feridas físicas com relativa rapidez, por que não a mente?". 

O caráter de psicoterapia breve é mais uma das vantagens do método.

http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=11118

CARTA PELA COMPAIXÃO

O princípio da compaixão é o cerne de todas as tradições religiosas, éticas e espirituais, nos conclamando sempre a tratar todos os outros da mesma maneira como gostaríamos de ser tratados. A compaixão nos impele a trabalhar incessantemente com o intuito de aliviarmos o sofrimento do nosso próximo, o que inclui todas as criaturas, de nos destronarmos do centro do nosso mundo e, no lugar, colocar os outros, e de honrarmos a santidade inviolável de todo ser humano, tratando todas as pessoas, sem exceção, com absoluta justiça, eqüidade e respeito.

É necessário também, tanto na vida pública como na vida privada, nos abstermos de forma consistente e empática, de infligir dor. Agir ou falar de maneira violenta devido a maldade, chauvinismo ou interesse próprio a fim de depauperar, explorar ou negar direitos básicos a alguém e incitar o ódio ao denegrir os outros - mesmo os nossos inimigos - é uma negação da nossa humanidade em comum. Reconhecemos que falhamos na tentativa de viver de forma compassiva e que alguns de nós até mesmo aumentaram a soma da miséria humana em nome da religião.

Portanto, conclamamos todos os homens e mulheres ~ a restaurar a compaixão ao centro da moralidade e da religião ~ a retornar ao antigo princípio de que é ilegítima qualquer interpretação das escrituras que gere ódio, violência ou desprezo ~ garantir que os jovens recebam informações exatas e respeitosas a respeito de outras tradições, religiões e culturas ~ incentivar uma apreciação positiva da diversidade religiosa e cultural ~ cultivar uma empatia bem-informada pelo sofrimento de todos os seres humanos - mesmo daqueles considerados inimigos.

É urgente que façamos da compaixão uma força clara, luminosa e dinâmica no nosso mundo polarizado. Com raízes em uma determinação de princípios de transcender o egoísmo, a compaixão pode quebrar barreiras políticas, dogmáticas, ideológicas e religiosas. Nascida da nossa profunda interdependência, a compaixão é essencial para os relacionamentos humanos e para uma humanidade realizada. É o caminho para a iluminação e é indispensável para a criação de uma economia justa e de uma comunidade global pacífica.

Extraído do site:
http://www.comitepaz.org.br/download/Carta%20pela%20Compaix%C3%A3o.pdf

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Terapia EMDR: O poder do olhar

Técnica é indicada para combater traumas psicológicos


Situações negativas do passado nem sempre são bem digeridas e, muitas vezes, memórias intrusas podem habitar-nos durante anos, décadas ou uma vida inteira. A Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares (EMDR – Eye Movement Desensitization and Retroprocessing) é um processo breve, situado entre a neurologia e a psicologia, e é especialmente indicada para combater traumas psicológicos.
Esta é uma "abordagem" com mais de 20 anos e foi descoberta casualmente por Francine Shapiro, uma psicóloga californiana, quando um dia contrariada e sujeita a pensamentos negativos passeava num parque e notara que pensamentos sombrios desapareciam quando, de forma espontânea, os seus olhos se moviam na diagonal, para a esquerda e direita e de cima para baixo.

Hoje, já transformada em modelo clínico, é usada no Mundo todo e muito aplicada para tratar veteranos de guerra ou refugiados em campos palestinianos, mas também para crises de ansiedade e imagens emocionais que provoquem sobressaltos inapropriados. A terapêutica é estabelecida em oito etapas bem precisas.

EMDR combina períodos de exposição com a simulação de distracções externas
EMDR combina períodos de exposição com a simulação de distracções externas
Michel Meignant, presidente da Federação Francesa de Psicoterapia e Psicanálise, é um entusiasta desta terapia e para provar a eficácia desta técnica percorreu o Mundo, filmou 350 sessões e submeteu-se a ele próprio ao método perante uma câmara de filmar, onde decidiu atravessar sofrimentos familiares. Existe mesmo um documentário da sua autoria sobre EMDR.

Memórias menos dolorosas


Mas, pode levar o seu tempo, segundo o médico psiquiatra. “Atrás de um acontecimento, bloqueado numa memória, podem estar outros bem dissimulados”, explicou. O EMDR trata, por isso, traumas isolados, como casos de incestos repetidos ao longo de vários anos, por exemplo. Michel Meignant explica ainda que a desaparição dos sintomas é “bastante espectacular” e que após uma sessão as más memórias são lembradas de forma não dolorosa.

EMDR Portugal define o processo como "um método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas por meio de estimulação bilateral do cérebro, a qual promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais". A Associação Psiquiátrica Americana recomenda o EMDR como um dos principais métodos da actualidade para o tratamento de situações traumáticas. Entretanto, novas aplicações têm sido voltadas para o tratamento de doenças psicossomáticas. Contudo, é um trabalho que exige um profissional clínico devidamente capacitado e certificado pelo EMDR Institute, dos Estados Unidos.
Extraído do site: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=41992&op=all

sábado, 9 de novembro de 2013

JUSTIÇA RESTAURATIVA - O QUE É?

A Justiça Restaurativa é uma corrente relativamente recente nas áreas da vitimologia e da criminologia. Surgida em meados da década de 70, nasce associada à proclamação do fracasso da denominada justiça retributiva, incapaz de dar respostas adequadas ao crime e às problemáticas específicas de vítimas e infractores.
O sistema de justiça criminal tradicional concebe e encara o crime - o acto criminoso - como um conflito entre o Estado (ou o sistema formal de justiça criminal) e o infractor - o autor do crime. Tem natureza retributiva, na medida em que as suas respostas se centram no acto criminoso, e é formalmente legalista e garantístico. Ninguém hoje duvida de que este sistema se encontra longe da perfeição, estando à vista de todos uma série de elementos indiciadores da sua crise: a finalidade pouco clara da punição (reabilitar e promover a alteração do comportamento do infractor? Inibir outros de praticarem crimes? Afastar, pelo menos temporariamente, o infractor da sociedade, no intuito de proteger esta?), a ineficácia do aumento das penas, os custos astronómicos consumidos pela máquina judicial e, especialmente, pelo sistema prisional, a elevada taxa de reincidência e o escasso envolvimento das vítimas.
Face a este fracasso do actual sistema de justiça criminal, com consequências particularmente visíveis ao nível do crescente sentimento de insegurança – potenciado pela projecção mediática dos processos mais sonantes, diariamente acompanhados por rádios, televisões e jornais -, são em abstracto configuráveis dois caminhos alternativos: ou “mais do mesmo”, isto é, ou se dota o actual sistema de mais meios humanos e materiais, aumentando-se o número de tribunais, de magistrados, de prisões e, eventualmente, se agravam as penas, ou se desenvolvem e exploram novas ideias e modelos para lidar com o fenómeno da criminalidade. A denominada justiça restaurativa revê-se neste segundo caminho.
 O QUE É?
Encontra-se na literatura sobre a matéria inúmeras definições de Justiça Restaurativa, nem sempre coincidentes. As duas definições mais recorrentemente mencionadas e consensualmente aceites:
"É um processo através do qual as partes envolvidas num crime decidem em conjunto como lidar com os efeitos deste e com as suas consequências futuras." (Marshall, 1997)
"É um processo no qual a vítima, o infractor e/ou outros indivíduos ou membros da comunidade afectados por um crime participam activamente e em conjunto na resolução das questões resultantes daquele, com a ajuda de um terceiro imparcial." (Projecto de Declaração da ONU relativa aos Princípios Fundamentais da Utilização de Programas de Justiça Restaurativa em Matéria Criminal). 

  
PRINCÍPIOS, VALORES E CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS
A Justiça Restaurativa é uma forma diferente de perspectivar como é que todos nós, enquanto vítimas, infractores, autoridades policiais e judiciárias e comunidade em geral devemos responder ao crime. É um novo padrão de pensamento, que vê o crime não meramente como violação da lei, mas como causador de danos às vítimas, à comunidade e até aos infractores. Centra-se na activa participação das vítimas, agressores e comunidades, muitas vezes concretizada através de encontros entre estes, num esforço para identificar a injustiça praticada, o dano resultante, os passos necessários para a sua reparação e as acções futuras que possam reduzir a possibilidade de ocorrência de novos crimes.
A justiça restaurativa coloca a vítima e o infractor no centro do processo, como seus protagonistas, procurando o empowerment e a satisfação das partes, a reparação dos danos sofridos, o envolvimento comunitário e a restauração das relações humanas existentes. Perspectiva o crime como uma perturbação nas relações entre pessoas que vivem em conjunto numa comunidade, numa sociedade ou nas relações entre o infractor e a comunidade onde se insere.
São geralmente apontados três elementos fundamentais do conceito de Justiça Restaurativa:
» o elemento social - o crime é encarado não como uma mera violação da lei mas, acima de tudo, como uma perturbação, uma disfunção das relações humanas. Esta perspectiva implica uma mudança de paradigma: é a redefinição do conceito de crime, passando este a ser encarado como um acto de uma pessoa contra outra, violador de uma relação no seio de uma comunidade, em vez de um acto contra o Estado. A tónica é colocada no comportamento anti-social e na brecha aberta nas relações comunitárias;
» o elemento participativo ou democrático – este elemento é a pedra de toque de todo o conceito: só pode falar-se em justiça restaurativa se houver um envolvimento activo das vítimas, infractores e, eventualmente, da comunidade, guindados a “actores principais” no âmbito destes procedimentos;
» o elemento reparador – os processos restaurativos são orientados para a reparação da vítima: pretende-se que o infractor repare o dano por si causado, e o facto de este e a vítima estarem envolvidos no procedimento permite ir ao encontro das reais e concretas necessidades desta.
Idealmente, os principais méritos da justiça restaurativa são, ao promover a participação activa de vítimas, infractores e comunidades, permitir às primeiras expressar os sentimentos experienciados, as consequências decorrentes do crime e as necessidades a suprir para a ultrapassagem dos efeitos deste, proporcionar aos segundos a possibilidade de compreenderem em concreto o impacto que a sua acção teve na vítima, de assumirem a responsabilidade pelo acto perpetrado, de repararem de alguma forma o mal causado e possibilitar às terceiras a recuperação da “paz social”. Enumere-se mais em pormenor as virtudes que a doutrina, coadjuvada pelas investigações já desenvolvidas nesta área, aponta à Justiça Restaurativa. 
A justiça restaurativa e
» as vítimas;
» os infractores;
» as comunidades;
» o sistema de justiça tradicional. 
As vítimas de crime têm a oportunidade de:
» confrontar o infractor com o impacto que o crime lhe causou, expressando os seus sentimentos, a forma como a sua vida foi afectada pelo crime, as suas emoções e necessidades;
» descobrir como é o infractor - “conhecer-lhe o rosto”;
» formular perguntas (através do mediador ou directamente) a que somente o autor do crime poderá responder: porque é que fez o que fez, porquê a mim, fiz alguma coisa que proporcionasse ou provocasse o crime, etc.;
» afastar medos e receios sobre o infractor: será que vai voltar, estarei em perigo;
» receber um pedido de desculpas e presenciar o arrependimento;
» com maior probabilidade, receber do infractor justa reparação dos danos materiais e não materiais sofridos;
» participar de forma mais activa numa proposta de solução para o caso;
» evitar a morosidade do processo penal, assim como as frequentes idas a Tribunal, com o consequente efeito revitimizador;
» “encerrar” o assunto, o que pode ajudar a recuperar a paz de espírito. 
Os autores do crime (os infractores) têm a oportunidade de:
» assumir a responsabilidade pelo seu acto;
» explicar o porquê da prática do crime;
» tomar consciência dos efeitos do crime na vítima e compreender a verdadeira dimensão humana das consequências do seu comportamento, o que mais facilmente conduzirá ao seu verdadeiro arrependimento;
» pedir desculpa;
» proporcionar à vítima justa reparação pelos danos causados;
» actuar no futuro de acordo com a experiência e conhecimentos entretanto adquiridos;
» aumentar o nível de auto-conhecimento e de auto estima;
» promover a sua reinserção social – reabilitando-o junto da vítima e da sociedade e contribuindo para a redução da reincidência. 
comunidade experiencia os seguintes efeitos positivos decorrentes da justiça restaurativa:
» aproximação dos cidadãos da realização da Justiça, permitindo a sua participação na resolução dos conflitos verificados no seio da comunidade;
» redução do impacto do encarceramento na comunidade - quando os infractores, depois de cumprirem pena de prisão, regressam à sua comunidade, vêm “formados” em crime;
» promoção da pacificação social;
» realização da prevenção geral e da prevenção especial – contributo para a redução da reincidência. 
A justiça restaurativa beneficia o sistema tradicional de justiça criminal e a administração da Justiça nas seguintes vertentes:
» contribui para a individualização das respostas e reacções jurídico-penais face às características de cada caso;
» promove a aproximação e a compreensão do sistema judicial de justiça pelos cidadãos;
» contribui para a melhoria da imagem e percepção dos cidadãos da Justiça;
» facilita a resolução de litígios de uma forma rápida, flexível e participada;
» contribui para a prevenção de litigiosidade;
» pode contribuir para a redução de processos no sistema tradicional de justiça criminal, possibilitando a concentração de esforços e meios em áreas de criminalidade mais exigentes;
» reduz os custos da “máquina” judicial;
» reduz os custos com o encarceramento.
A justiça restaurativa tem sido levada à prática através de diversos modelos que, embora eivados de princípios, valores e características atrás descritos, diferem razoavelmente entre si, radicando essas diferenças nas origens culturais que os inspiram. O modelo mais utilizado, designadamente na Europa, é a mediação vítima-infractor.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Vítima, agressores e vingança: receita moderna de intolerância?

“É a nossa vez”, parece dizer quem se anuncia como “do bem”, ao levantar a voz contra quem é “do mal”. 
É cada vez mais frequente o discurso do vingador, pontuado de pequenas fórmulas. 
Os tradicionais jornais, no seu modo virtual, e as redes sociais estão cheios de berros, de brados, de insultos, de opiniões sem flexibilidade e de um humor inconsequente, caso dos que não se incluem no grupo dos vingadores, mas fazem troça de tudo à volta. 
Sinto-me incomodada com o recurso às fórmulas, aos rótulos e também com a recusa em compreender. Cada um tem seu ritmo, mas o trânsito fica caótico nessa conversa entre fortes, fracos, displicentes… as palavras se sobrepõem, umas abafam as outras, e pouca gente tem tempo e profundidade para mergulhar nessa trama, sem culpar ou imitar quem grita mais alto. 
Sinto o mesmo incômodo quando ouço que determinado debate público não tem importância, porque não é uma prioridade tratar daquele assunto, naquela hora. Tá certo que as pautas são manipuladas, mas com um pouco de paciência, de ironia e de habilidade, devíamos contribuir para desmanchar conveniências, para retirar o poder de quem nos obriga a olhar para um tema, evitando outros. 
Os assuntos vão surgindo, uns são incontornáveis, outros, perfumaria; poderia ser suficiente para nós, como grupo muito muito amplo que somos, seguir em frente, se a perfumaria for assim tão irritante (e tendo ou não o que propor acerca dos assuntos incontornáveis) ou assistir ao debate dito pertinente e oportuno, para aprender mais. 
Mas, num toma-lá-dá-cá a propósito de uma notícia mal redigida num portal da Internet, por exemplo, facilmente se nota como os participantes não têm norte, como comentam a notícia em si ou a falta de qualidade do texto, sem observar o mínimo de coerência no que verbalizam, sem respeitar pelo menos o princípio da inteligibilidade.   

No que diz respeito ao Brasil, é batata! Entendo que as pessoas estejam dececionadas com os rumos da política, com o descontrole da violência, mas não haverá uma pessoa sequer, um grupo para funcionar com contraponto à prática de transformar qualquer debate em queixa contra o governo federal e contra “os direitos humanos”? Ninguém para aconselhar que uns e outros usem menos palavrões e mais metáforas, e mais provérbios, e mais imagens? 
De longe, o que eu suspeito é que as pessoas que dão a cara estão enfurecidas, sem ideias muito responsáveis, sem coragem de encarar o mais imediato, que é o dia a dia no seu mais inevitável conflito. As escolas são barris de pólvora, vamos trabalhar e vamos a elas entregar nossos filhos para a obrigação de estudar, com a melhor participação possível? 
As ruas numa parte do Brasil têm uma frota de carros absurdamente grande, por isso vamos com calma ao volante, tenhamos respeito dentro dos meios de transporte público, com o ciclista e como ciclista, com o pedestre e como pedestre.  
As greves nas universidades já eram uma opção quando eu ingressei no curso de Letras, em 1994. Desgastavam alunos, professores, não resultavam em muitas contratações (pelo menos não foi o que eu vi, como aluna), quebravam o semestre e o ano letivo e davam uma insegurança enorme no principal, que é o aprendizado (do conteúdo, da cidadania). Hoje, em algumas faculdades, foram colocados nos corredores até sofás e eletrodomésticos dos alunos, como forma de protesto. Quem resguarda o direito de outros membros da comunidade, que podem precisar transitar dentro dessas faculdades livremente? Quer dizer que a mais inteligente resposta aos tiranos é tiranizar os outros? 
Já escrevi muito superficialmente sobre uma ideia que eu conheci por meio de um livro de Alberto Manguel, escritor argentino, e agora volto a ela. O livro é No bosque do espelho. 
Ele tem um raciocínio bem fundamentado em autores conhecidos do público da literatura de ficção (como Borges, Kipling e Conrad). Na leitura que eu faço do capítulo VII, “Crime e Castigo”, ele mostra como prevalece entre nós a ideia de um direito à vingança. 
Segundo ele, essa ideia é o resultado de uma intolerância que, por sua vez, é retrato da estupidez de alguns regimes. Quem tem mais poder e não sabe usá-lo, oprime; quem é oprimido às vezes responde com a mesma estupidez das autoridades desse regime e, preso a ela, não enxerga mais e fica a falar e falar para os estereótipos, isto é, entra numa conversa enlouquecida com os únicos representantes que vê, sem suspeitar que existem, no próprio mundo dele, outros grupos, outras vozes, outras razões. 
Manguel salienta que entre a literatura que é mero rabisco (por mais refinada que seja) e a possibilidade que só ela dá de abrir horizontes a partir de rabiscos, existe uma saída digna até para quem foi tomado pela ideia de vingança. 
Está no final do capítulo, cujo subtítulo é “Idade da Vingança”, uma curta história real sobre um homem equilibrado que, depois de perder filho e nora, escolheu a vingança. Nas últimas linhas, o pote de ouro no final do arco-íris: quem tem força maior que a da vingança, quem tem um valor mais alto, precisa fazer bom uso dos seus argumentos e, com eles, apontar um caminho de mais dignidade. No caso verídico relatado por Manguel, estão um poeta e Mães da Plaza de Mayo, ambos oprimidos com a mais dura das crueldades. Um deles acaba persuadido pelo outro a crer na liberdade de nos distinguirmos dos opressores, ao abandonarmos a ideia de vingança. O resto é história. 

Extraído do site: http://www.ponderapandora.blogspot.pt/

Betina Ruíz 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Conselho de Cidadãos - Exercer a Cidadania em Prol da Comunidade!

O Consulado-Geral do Brasil no Porto
cumprimenta a comunidade brasileira!


Conselho de Cidadãos

O Consulado-Geral informa que na reunião realizada em 10/09/2013, foi instituído o Conselho de Cidadãos, um canal de diálogo para auxiliar o trabalho da Repartição consular junto à comunidade brasileira local. No encontro, foi aprovado o Estatuto do Conselho, que estabelece os seguintes objetivos:

Objetivos Gerais

  1. Funcionar como um canal de comunicação e relacionamento entre o Consulado e a comunidade brasileira local, contribuindo para maior conhecimento e cooperação entre ambos;
  2. Promover ações de integração e valorização da comunidade brasileira;
  3. Contribuir para o aperfeiçoamento da prestação do serviço consular bem como dos meios de assistência às cidadãs e cidadãos brasileiros
  4. Exercer a representação junto ao Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior - CRBE.
Objetivos específicos
  • Estreitar laços entre o Consulado e a comunidade brasileira;
  • Reforçar a troca de ideias e informações sobre caminhos para a solução de problemas da comunidade brasileira;
  • Colaborar, em especial, na promoção dos direitos das crianças e adolescentes, mulheres e minorias;
  • Prestar apoio psicossocial a integrantes da comunidade brasileira;
  • Reunir propostas da comunidade brasileira, levando-as à consideração do Consulado;
  • Criar projetos que beneficiem a cidadã e o cidadão brasileiro, especialmente nas áreas de educação, da formação profissional e do empreendedorismo;
  • Criar mecanismos de produção e circulação de informações com vistas à melhoria do atendimento consular;
  • Contribuir para a divulgação da cultura brasileira;
  • Propagar as ações do Consulado-Geral junto à comunidade brasileira;
  • Informar o Consulado de violações aos direitos das cidadãs e cidadãos brasileiros;
  • Preparar e criação de um Conselho de Cidadania.

Em sua primeira composição, o Conselho, a ser presidido pelo Cônsul-Geral, está integrado pelos seguintes membros:

Titulares

- Ruth Teixeira, Coordenadora-Geral
- Rogério Lopes, Secretário- Executivo
- Betina Ruiz
- Cristina Bastos
- Guilherme Buest
- Hiran Fischer Trindade
- Mauro Prado
- William Chohffi

Suplentes

- Carmélio Cunha
- Cláudio da Rocha Brito
- Haroldo Rocha
- Melany Ciampi
- Sérgio Filipak

O Consulado-Geral informará a comunidade brasileira no norte de Portugal, por esta página eletrônica e por e-mail, dos resultados das reuniões, das iniciativas e atividades do Conselho de Cidadãos e poderá receber, a respeito, eventuais comentários e sugestões pelo e-mail gabinete.porto@itamaraty.gov.br.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Violência de Género; o silêncio como cúmplice

No dia 25 Novembro, celebra-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) assinala esta efeméride lançando uma campanha de sensibilização sobre violência contra as mulheres. 

Este tipo de violência, ao contrário daquilo que se pensa, não é incomum... Se as imagens "chocam" e parecem demasiadas, a realidade é muito pior... São anos e anos de violação dos direitos humanos, anos e anos a sofrer de violência psicológica, insultos e muitas vezes agressões físicas.

A pergunta que sempre nos fazemos é por que estas mulheres sujeitam-se a estas situações de constantes humilhações. O crime de Violência contra a mulher tem contornos muito específicos, uma subtileza que se reedita no tempo e nos altos e baixos de uma relação de amor, controlo e dependência recíproca. 


Sem falar no investimento afectivo, na vergonha e culpa devido a uma relação  débil, com momentos de amor, carinho e afecto e outros permeados pela instabilidade emocional, agressividade e abusos... Este ciclo de tensão, agressão e "lua de mel", sustenta a esperança e dificulta o "desenlace". O luto pela relação "falhada" é adiado constantemente, assim como os votos de amor, companheirismo e protecção...

As questões práticas, como dependência financeira, emocional, medo de represálias e mais agressividade, sobretudo contra filhos e familiares próximos, reforça o comportamento de permanência. 

Aliado a este cenário desolador, temos o preconceito contra a mulher, ora velado, ora"escancarado" em todas as dimensões, sobretudo se a mulher for imigrante, de classe social desfavorável ou ainda com poucos recursos académicos e sociais, uma polícia de segurança muitas vezes mal preparada, uma justiça lenta e hipócrita e uma articulação entre estes organismos ineficaz.   

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Dicas valiosas para iniciar o Processo de Reeducação Alimentar




Como começar um processo de reeducação alimentar???

O princípio que alicerça a Reeducação Alimentar é acima de tudo o bom senso! Todos nós hoje em dia temos a noção daquilo que é prejudicial à nossa saúde: açucares, gorduras saturadas, álcool e farináceos (hidratos de carbono altamente refinados e de rápida absorção). Assim, devemos antes de mais nada, optar por uma alimentação simples! Esta questão entretanto será discutida noutra ocasião.


Todavia antes de iniciar o que quer que seja é fundamental ter um objectivo! Uma meta! Quando viajamos de férias, traçamos um plano: quais actividades pretende desenvolver, o local mais adequado, quais acomodações, etc. Com o processo de emagrecimento devemos fazer o mesmo! Precisamos criar um caminho neurológico para nos ajudar a chagar a nossa meta!

Assim, comece por pensar no "menor" e "maior" peso que já teve enquanto adulto. Não vale sabotar! Exemplo: menor peso 62 quilos e maior peso 100 quilos. Agora responda as seguintes questões: Qual o peso que neste momento, julga ser possível alcançar com a sua determinação? Resposta: 80


- Qual o peso que você gostaria de voltar a ter? O peso de "sonho"? Resposta: 68
Fixe estes dois números, eles serão os alicerces para o seu programa de reeducação alimentar. 
Faça uma lista com todas as razões que o levam a querer emagrecer, atenção, inclua nesta lista além do óbvio! (melhor saúde, mais disposição, etc.). Seja verdadeiro consigo mesmo e não se recrimine! (ex. quero ser admirado, quero sentir-me mais atraente, etc.), espalhe pela casa, nos lugares estratégicos! (frigorífico, despensa, etc.);
  • Mude a sua atitude em relação aos alimentos, pequenas mudanças ao longo do tempo, trazem fantásticos resultados! (diminua a quantidade de produtos industrializados, faça opções mais sensatas, etc.);
  • Não  passe o tempo todo pensando nos resultados! O importante e cumprir o compromisso com as mudanças gradualmente implementadas; 
  • Estipule uma data inicial e final para atingir cada um dos dois grandes "marcos" e avalie os resultados (no caso do exemplo 80 quilos e 68 quilos respectivamente); 
  • Coloque pequenas quantidades de alimento na boca e mastigue devagar, somente após 15 a 20 minutos do início da refeição, o cérebro reconhece o processo e envia uma resposta de saciedade;
  • Não "salte" refeições, não passe fome, procure ter consigo quantidades suficientes de frutas, iogurtes magros, barras de cereais; 
  • Beba bastante água ou chá sem açúcar, não tem calorias e desintoxica o corpo;
  • Quando fizer a lista de compras, dê preferência aos alimentos "de verdade", isto é, frutas, legumes, azeite de oliva, ovos, carnes, peixes, queijos magros. Tenha pequenas porções de nozes, castanhas do Pará e outras oleoginosas (ricas em vitaminas, minerais, antioxidantes e gordura de óptima qualidade), ajudam na saciedade e são óptimos para o coração;
  • Pese-se apenas uma vez por semana, sempre no mesmo dia e a mesma hora, de preferência pela manhã após ir a casa de banho e sem roupa, isso irá controlar a sua ansiedade;
  • Faça, se possível, algum tipo de actividade física (dançar é uma óptima opção!), ajuda na perda de peso, melhora o equilíbrio, a flexibilidade e aumenta a auto-estima e o convívio social;
Lembre-se: Não apresse o rio, ele corre sozinho! A motivação é fundamental, não hesite buscar o apoio de um coaching ou terapeuta, que o possa acompanhar neste processo! Em conjunto com outros profissionais você terá toda a assessoria de que precisa para chegar a sua meta!


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Violência de Género; Desconstrução de Estereótipos



Estou aqui a pensar no que vou escrever hoje... Se calhar vou partilhar convosco algumas inquietações... 


A Violência Doméstica é dos crimes que mais afectam idosos, mulheres, jovens e crianças em nossa sociedade. A violência é um comportamento deliberado e consciente. Actualmente o Conceito diz respeito a qualquer "Conduta ou omissão de natureza criminal, que inflija sofrimentos físicos, sexuais, psicológicos ou económicos, de modo directo ou indirecto, a qualquer pessoa que resida habitualmente no mesmo espaço doméstico ou que, não residindo, seja cônjuge ou ex-cônjuge, companheiro/a ou ex-companheiro/a, namorado/a ou ex-namorado/a, ou progenitor, ascendente ou descendente, por consanguinidade, adopção ou afinidade".

É considerada violência de género, aquela que é exercida de um sexo sobre o sexo oposto. Em geral, o conceito refere-se à violência contra a mulher, sendo que o sujeito passivo é uma pessoa do género feminino.Os casos de violência familiar ou de violência no lar, raramente são denunciados, por uma questão de vergonha ou por receio.

Muitos dos actuais agressores, foram crianças que viveram na própria "pele" essa experiência avassaladora, seja no papel de vítima ou expectador. Muitos adultos que hoje agridem os pais, filhos ou companheiras, presenciaram durante anos a fio, o mesmo modelo de relacionamento, agora perpetuado. Embora essas experiências do passado não possam justificar plenamente o actual comportamento, já que nem todas as pessoas que foram agredidas ou presenciaram agressões, passam a agir assim no futuro, o fenómeno da re-traumatização é conhecido e legitimado.

Existem muito factores implicados nesta dinâmica, todavia o objectivo aqui e agora é tentar identificar onde podemos efectivamente actuar, como Cidadãos, Pais, Educadores... O que podemos fazer hoje, para que no futuro, os nossos jovens sejam adultos mais ajustados, tolerantes e felizes? Mais uma vez estamos diante de uma multiplicidade de factores...
Um dos pontos que muito se discute na actualidade é a questão do "género". Ou seja, ser rapaz ou rapariga... Mas o que isso quer dizer em concreto? 

A violência doméstica é sobretudo praticada pelo marido, companheiro ou namorado, contra a mulher. O interior das próprias casas, continua a ser o local menos seguro, já que mais de 80% dos casos de agressão, são ai praticados.  "Um cenário que resulta principalmente de factores estruturais – associados à desigualdade de género – os quais estão enraizados nas mentalidades e condutas de homens e mulheres e que são de mudança lenta"... 

As características atribuídas ao que é ser homem ou mulher são produzidas e modificadas por meio do contexto histórico e dos grupos culturais nos quais fomos educados e em um determinado momento histórico. Nascemos pertencentes, biologicamente, a um determinado sexo, mas será pela convivência com os valores culturais de uma determinada sociedade, em uma determinada época, e do grupo social do qual fazemos parte que nos identificaremos como homem ou mulher.

Os comportamentos e as expectativas sobre o que é adequado a cada género é reeditado e são estes mesmos comportamentos e expectativas que estão na base do crime de Violência contra a mulher. Será que valorizamos as mesmas características humanas nos homens e nas mulheres? Criamos com os mesmos valores os nossos filhos e filhas???

Assim sendo e conforme discussão neste dia 28 de Novembro, na 3ªs Jornadas sobre Género e Responsabilização, promovida pela Cruz Vermelha Portuguesa (Delegação de Matosinhos), responda as seguintes questões e reflicta sobre elas:



Caso seja um homem:
O que é para você ser homem?
O que a sociedade espera de um homem?

Caso seja uma mulher:
O que é para você ser mulher?
O que a sociedade espera de uma mulher?


A educação e os valores que transmitimos aos nossos filhos, são fundamentais para a Desconstrução de Estereótipos...


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Primeiro Ano! Atendimento Psicológico através do Consulado Geral do Brasil no Porto



Os desafios que encontramos ao longo da vida, dão sentido a nossa existência e motivação para adquirirmos novas competências, crescimento pessoal e profissional. 

Assinalo com muito orgulho esta data! O tempo passou a voar, mas já faz um ano!

A necessidade de dar respostas às mais variadas demandas é sem dúvida um desafio constante e muito enriquecedor! 

A crescente procura pelo Apoio Psicológico demonstra o reconhecimento da profissão, através da qual se pode alcançar pelo aconselhamento e psicoterapia breve a mediação de conflitos, a resolução de problemas, a estabilidade diante de transtornos de ansiedade e depressivos, o controle das síndromes dolorosas, a dessensibilização e reprocessamento de experiências traumáticas, o aumento da performance profissional e pessoal e tudo o que directa ou indirectamente diz respeito ao Ser humano.

A Psicologia, assim como outras ciências, evoluiu muito nas últimas duas décadas, pelo que abordagens revolucionárias (como o E.M.D.R - Eye Movement Desensitization and Reprocessing), são hoje uma realidade em muitos consultórios espalhados pelo mundo! Sinto-me particularmente honrada pela possibilidade de utilizar esta fantástica ferramenta, num contexto social e assim beneficiar quem dela necessite.

Só tenho a agradecer a todos que de alguma forma viabilizaram a concretização deste e de muitos outros projectos!


O meu muito obrigada!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

VOLTA ÀS AULAS - ALIMENTE O SEU CÉREBRO!


Incansável, trabalhadora e resistente a múltiplas fontes de desgaste e stress, a mente humana necessita de diversos nutrientes e determinadas atividades para se manter vigorosa e em pleno funcionamento. Descubra como pode ajudar a manter o seu cérebro saudável, de acordo com o Instituto da Inteligência.

O cérebro humano é uma estrutura complexa, da qual dependem a nossa capacidade para andar, ver, ouvir, perceber, pensar, criar, aprender, tomar decisões, sentir e tantas outras atividades fundamentais para a nossa sobrevivência e evolução da inteligência. 

No entanto, este órgão, por muito forte ou invencível que possa parecer, não irá permanecer assim para sempre. Tal como com qualquer outra parte do corpo, o cérebro envelhece e enfraquece com o passar do tempo. O stress, a fadiga e o envelhecimento deixam as suas marcas na mente humana, mas existem formas de reabilitar e otimizar o funcionamento do cérebro. 

Para que funcione eficazmente, este órgão necessita de ser alimentado e estimulado, até porque é um verdadeiro comilão. Sozinho consome entre 25% e 30% da energia que o organismo consegue produzir através dos alimentos. Conheça as recomendações propostas pelo Instituto da Inteligência e aumente a performance do seu cérebro.

1. Faça uma dieta com baixo teor de gordura. A gordura em excesso prejudica a circulação sanguínea no cérebro e produz radicais livres que envelhecem prematuramente as células nervosas, dificultando as funções cognitivas.

2. Consuma alimentos através dos quais poderá obter nutrientes vitais, como as vitaminas A, B1,B6, B12, C, E, minerais como o magnésio, o selénio e o zinco, e os ácidos gordos Ómega-3. Poderá encontrar estes nutrientes em cereais integrais, fruta, legumes, frutos secos, ovos, azeite, salmão, atum, sardinha e carne. 

3. Aposte numa dieta com restrição de calorias, pois favorece a longevidade e a destreza mental, e promova uma dieta equilibrada onde estejam presentes todos os tipos de fibras, vegetais, fruta e proteínas não-animais, bem como laticínios desnatados e carne magra. Se for necessário, tome suplementos vitamínicos para compensar os desequilíbrios resultantes de refeições pobres e apressadas.

4. Respire bem através de uma postura correta e de exercícios físicos moderados, como por exemplo, caminhadas de pelo menos 30 minutos diários para manter a função cerebral ativa.

5. Pratique atividades regulares de ativação dos sentidos, do pensamento, da criatividade e da inteligência para "exercitar" o cérebro e revigorar a mente, igualmente conhecidas como neuróbica.

6. Dedique-se a atividades prazerosas que lhe permitam perder a noção do tempo e do espaço, entrando num estado de profunda concentração. 

7. Durma o tempo necessário para que o cérebro recupere da energia dispendida ao longo do dia e realize todas as suas funções essenciais.


Fonte: Instituto da Inteligência

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A VIOLÊNCIA DE GÉNERO


A Violência de Gênero

Para superação da hostilidade da natureza no início dos tempos, como forma de sobrevivência, o homem primitivo teve como princípio vital o fenômeno da violência. Hoje, ela assume uma nova face: a de continuar existindo como consequência da organização humana no mundo. Outrora e atualmente, retrata o homem e a mulher diante das desigualdades da relação entre superior e inferior, utilizando o poder com fins de dominação, exploração e opressão.
A violência é um desequilíbrio entre fortes e oprimidos. A violência em suas mais variadas facetas, afeta a saúde, ameaça a vida, produz danos psicológicos e emocionais e, por fim, provoca a morte. A violência não é só a agressão física, ela é a própria tirania, colocando a mulher sob o jugo do agressor e resultando assim, a situação de dominação. A violência física é um dos instrumentos que o indivíduo usa para dominar outra pessoa.
O insulto, a humilhação, a agressão sexual são formas de sujeição da mulher, com o intuito de manter o controle total. Violência de gênero é violência contra a mulher pelo simples fato de ser mulher. E para ilustrar nossa fala exemplificamos com uma situação de violência doméstica e familiar que aconteceu neste Carnaval de 2012 no interior de Mato Grosso. O fato aconteceu no último dia 17, na cidade de Confresa (a 1200 km de Cuiabá), quando um homem de iniciais G.C.A., de 20 anos, após ter um pedido de sexo negado pela mulher, começou a agredir a esposa M.M.S., de 29 anos.
De acordo com informações apuradas pelo Portal Agência da Notícia, G.C.A. chegou em casa em visível estado de embriagues e queria fazer sexo a força com a esposa e esta se recusou. O marido, então, teria partido para agressão, puxando-a, pelos cabelos, para o quarto. Ainda segundo a polícia, como não conseguiu levar a esposa para o quarto, o marido pegou uma faca e começou a ameaçá-la. Em meio à confusão, uma vizinha foi até a residência do casal para saber o que estava acontecendo. Aproveitando a presença da vizinha, a esposa então acionou a Polícia Militar, que prendeu o suspeito, que foi encaminhado para a delegacia de Polícia Civil. O “homem das cavernas” deve responder pela lei Maria da Penha.
Porque tanta violência?
Denunciar as situações de violência pelas quais as mulheres passam é fundamental para conhecimento dessa realidade e garantir o fim da impunidade dos agressores. Este é apenas um dos casos que chegam ao conhecimento público. Minha preocupação é com aqueles que não chegam; com aquelas milhares de mulheres deste Estado e deste país que ainda sofrem caladas tamanha barbárie.
Ana Emilia Iponema Brasil Sotero é professora, advogada, doutoranda em Ciências Jurídicas e Sociais, palestrante sobre violência de gênero, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso e escreve exclusivamente para este blog toda sexta-feira -  http://facebook.com/AnaEmiliaBrasil